A Prefeitura de Teresina tropeçou, na semana passada, no reajuste de 10% no valor da passagem de ônibus. Depois de concedê-lo, teve que revogá-lo, após intensos protestos de rua, feitos por estudantes descontentes com o aumento. No entanto, o reajuste na tarifa de ônibus nem é o principal problema do sistema de transporte público da capital.
O grande desafio da Prefeitura é desengavetar e executar o Plano Diretor de Transportes, elaborado em 2008, por uma consultoria de São Paulo com vasta experiência na área. O plano prevê a resolução de dois graves problemas que entravam todo o sistema: a integração e a licitação de linhas de ônibus.
Para fazer a integração de linhas, através da qual um mesmo bilhete vale para mais de um trecho, a Prefeitura deverá construir pelo menos oito terminais. Três anos depois da conclusão do Plano Diretor, ainda não foi iniciada a construção de nenhum deles. Os investimentos em obras físicas para viabilizar a integração de linhas giram em torno de R$ 40 a R$ 50 milhões.
Somente depois da construção dos terminais, das melhorias da vias de tráfego e da implantação da integração das linhas é que a Prefeitura terá condição de definir as bases da licitação do sistema de transporte público. Ou seja, a licitação só poderá ser feita dentro dessa nova configuração do sistema, tendo em vista que o atual modelo está obsoleto.
O que cabe à Prefeitura é, pois, se articular para conseguir os recursos para a implantação do novo sistema. Já foi anunciado que os recursos estão previstos no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). É preciso, no entanto, acionar a bancada federal para conseguir com que os recursos sejam efetivamente liberados e aplicados o quanto antes.
Não se pode pensar em barateamento da tarifa de ônibus sem uma revisão das gratuidades. A rigor, não há gratuidade. Os passageiros pagantes acabam pagando também o transporte de quem anda nos ônibus de graça. Nesse quesito, há que se preservar os direitos dos estudantes. Os privilégios, porém, como os que alcançam várias categorias de servidores públicos, não devem ser tolerados.
Sem a solução desses problemas, a Prefeitura viverá apenas de paliativos, de remendos. E dificilmente poderá sustentar indefinidamente o rebaixamento da tarifa como fez na semana passada. O sistema tem um custo, um alto custo, para operar. E tudo pode ser medido tecnicamente e com a devida transparência.
Fonte: 180graus
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