24 de setembro de 2012

O inesquecível Caio Gabriela

Fonte: Henrique Matheus (Portal Paraíba Bus) e Adamo Bazani (blog Ponto de Ônibus)

‘’O Gabriela fez parte de uma época em que a indústria de ônibus engatava uma marcha mais acelerada e começava a se redefinir, desenvolvendo conceitos ainda hoje empregados.’’

Em 1974 foi lançado o Caio Gabriela I, ainda com alguns elementos de seu antecessor, o Caio Bela Vista. Mas seu para-brisa já trazia a inovação de ser considerado panorâmico, bem grande em relação aos modelos comuns no mercado na época. Mas as janelas laterais ainda eram inclinadas e a traseira mais arredondada, com vidro bipartido atrás e lanternas traseiras na posição horizontal.

image

A evolução viria cedo. Dois anos depois, quando em 1976, era lançado o Caio Gabriela II. Realmente, os funcionários de empresas de ônibus e operários do setor mais antigos não têm dúvidas em dizer que foi uma sensação para a época. O modelo era harmonioso para os padrões da ocasião. Tinha linhas mais retas, nas não era necessariamente quadradão. As janelas laterais eram de 90 graus, não mais inclinadas, e os vidros traseiros totalmente panorâmicos, inteiriços. Algumas primeiras unidades do Caio Gabriela II ainda saíam com os famosos volantões brancos, mas a maior parte da alavanca de câmbio já era reta, sem ser angulada, do tipo popularmente chamado de “coça-sovaco”. Uma inovação do conjunto do chassi, motor e transmissão que marcou o Gabriela II.

Aliás, inovação da indústria é com este modelo mesmo. A demanda por transportes crescia de maneira assustadora a partir dos anos de 1960. As reivindicações por sistemas de ônibus mais modernos e confortáveis ganhavam coro até na mídia, que fazia reportagens e expunha a carência por transportes mais dignos eficientes para atender a uma quantidade cada vez maior de passageiros, especialmente nos centros urbanos. A indústria se desenvolvia e o perfil econômico do País, que mudava para urbano de maneira mais acelerada, mudava a forma pela qual se davam os deslocamentos.

image

O Caio Gabriela também levou a marca brasileira para diversos lugares do mundo, principalmente para nossos vizinhos da América Latina: Argentina, Paraguai, Chile, entre outros, aproveitavam das vantagens do Gabriela.

Vantagens mesmo. Além de ser um veículo inovador, com linhas mais retas e maior área de envidraçamento, propiciando mais visibilidade, mais confortável, com uma melhor disposição do espaço interno, para época, por reforços feitos em algumas partes da estrutura, o Gabriela foi um modelo muito resistente. Quer maior exemplo do que alguns ônibus que hoje transportam trabalhadores rurais em diversas regiões do País? Uma boa parte é de Caio Gabriela, alguns com mais de 30 anos de uso, enfrentando canaviais, áreas de plantação, estradas de terra e até passagens em áreas alagadas de baixa profundidade.

Caio Gabriela na Paraíba

O modelo teve uma grande participação na história dos ônibus Paraibanos. Foi bem aceito pelo sistema de transporte paraibano que adotou o novo conceito em carroceria, conceitos que duram até hoje.

image

Em 1980 deixava de ser produzido para ser sucedido pelo modelo Amélia. Mas sua resistência era tão grande que muitos ainda operavam firmes em linhas urbanas regulares nos anos de 1990.

E claro que o setor de fabricação de ônibus no Brasil, que se tornou um dos mais respeitados do mundo, avançou muito e hoje, pelas novas necessidades dos centros urbanos, que pedem veículos de maior capacidade e mais acessibilidade, com tecnologias mais limpas, talvez não haveria espaço para o velho Gabriela. Mas ele deixou um legado irrevogável para que a indústria brasileira alcançasse esse respeito.


Viaje Tomaz Turismo - Pontualidade, Conforto e Segurança

Pontual Transporte de Passageiros

Nenhum comentário: